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A Gestão da Educação Ante as Exigências
de Qualidade e Produtividade da Escola Pública
Vitor Henrique Paro
Universidade de São Paulo - Faculdade de Educação
Resumo
O caráter
mediador da administração manifesta-se de forma peculiar na
gestão educacional, porque aí os fins a serem realizados
relacionam-se à emancipação cultural de sujeitos históricos,
para os quais a apreensão do saber se apresenta como elemento
decisivo na construção de sua cidadania. Por esse motivo, tanto
o conceito de qualidade da educação quanto o de democratização
de sua gestão ganham novas configurações. O primeiro tem a ver
com uma concepção de produto educacional que transcende a mera
exposição de conteúdos de conhecimento, para erigir-se em
resultado de uma prática social que atualiza cultural e
historicamente o educando. O segundo, ultrapassando os limites
da democracia política, articula-se com a noção de controle
democrático do Estado pela população como condição necessária
para a construção de uma verdadeira democracia social que, no
âmbito da unidade escolar, assume a participação da população
nas decisões, no duplo sentido de direito dos usuários e de
necessidade da escola para o bom desempenho de suas funções.
Qualidade e produtividade
Muito se tem
falado, nos últimos anos, sobre qualidade do ensino e
produtividade da escola pública. O discurso oficial, sustentado
inclusive por argumentos de intelectuais que até pouco tempo
atrás faziam sérias críticas ao péssimo atendimento do estado em
matéria de ensino, assegura que já atingimos a quantidade,
restando, agora, apenas buscar a qualidade, como se fosse
possível a primeira sem a ocorrência da segunda. Quando se
referem à quantidade, ressaltam que não há carência de escolas,
visto já estar sendo atendida quase toda a população em idade
escolar.
Mesmo
deixando de lado o fato relevante de que, no limiar do Século
XXI, esse “quase” deixa, a cada ano, sem qualquer tipo de
contacto com o ensino escolarizado, milhões de crianças, filhas
de cidadãos (?) brasileiros completamente à margem dos
benefícios da civilização que eles ajudam a construir, é preciso
questionar seriamente se a precariedade das condições de
funcionamento a que o Estado relegou os serviços públicos de
ensino permite chamar de escola isso que se diz oferecer à
“quase” totalidade de crianças e jovens escolarizáveis. É
preciso perguntar se escola não seria mais do que um local para
onde afluem crianças e jovens carentes de saber, que são
acomodados em edifícios com condições precárias de funcionamento
(com falta de material de toda ordem, com salas numerosas, que
agridem um mínimo de bom senso pedagógico) e são atendidos por
funcionários e professores com salários cada vez mais aviltados
(que mal lhes permitem sobreviver, quanto mais exercer com
competência suas funções). Em outras palavras, para entender o
que há por trás do discurso oficial, é preciso indagar a
respeito do que é que o Estado está oferecendo na quantidade da
qual ele tanto se vangloria.
Mas, se
estamos interessados em soluções para nosso atraso educacional,
é preciso, antes de mais nada, perguntarmos a respeito do que
entendemos por educação de qualidade. A educação, entendida como
a apropriação do saber historicamente produzido é prática social
que consiste na própria atualização cultural e histórica do
homem. Este, na produção material de sua existência, na
construção de sua história, produz conhecimentos, técnicas,
valores, comportamentos, atitudes, tudo enfim que configura o
saber historicamente produzido. Para que isso não se perca, para
que a humanidade não tenha que reinventar tudo a cada nova
geração, fato que a condenaria a permanecer na mais primitiva
situação, é preciso que o saber esteja sendo permanentemente
passado para as gerações subseqüentes. Essa mediação é realizada
pela educação, do que decorre sua centralidade enquanto condição
imprescindível da própria realização histórica do homem. (PARO,
1997b)
Esta
concepção de educação é integrante de uma visão do homem
histórico, criador de sua própria “humanidade” pelo trabalho.
Mas o trabalho, em seu papel mediador, embora categoria central,
não é fim em si mas o meio pelo qual o homem transcende a mera
necessidade natural. Para o homem, “somente o supérfluo é
necessário” (Ortega Y Gasset, 1963), visto que ele não se
contenta com a satisfação das necessidades naturais. Estas
independem de sua vontade e sua satisfação permite a ele apenas
estar no mundo como os outros seres da natureza. Mas o homem não
almeja apenas estar no mundo; o homem almeja estar bem. Para
ele, não importa viver, mas viver bem: “navegar é preciso, viver
não é preciso.” Por isso, enquanto único ser para quem “o mundo
não é indiferente” (Ortega Y Gasset, 1963) o ser humano
coloca-se sempre novos objetivos que transcendem a necessidade
natural, os quais ele busca realizar por meio do trabalho. O
trabalho não é, pois, o fim do homem, mas sua mediação para o
viver bem.
Isso tudo tem
implicações mais do que importantes para uma educação escolar
que tenha por finalidade a formação humana. Em primeiro lugar, é
preciso ter presente que não basta formar para o trabalho, ou
para a sobrevivência, como parece entender os que vêem na escola
apenas um instrumento para preparar para o mercado de trabalho
ou para entrar na universidade (que também tem como horizonte o
mercado de trabalho). Se a escola deve preparar para alguma
coisa, deve ser para a própria vida, mas esta entendida como o
viver bem, no desfrute de todos os bens criados socialmente pela
humanidade. E aqui já há um segundo aspecto, corolário do
primeiro, a ser considerado: não basta a escola “preparar para”
o bem viver, é preciso que, ao fazer isso, ela estimule e
propicie esse bem viver, ou seja, é preciso que a escola seja
prazerosa para seus alunos desde já. A primeira condição para
propiciar isso é que a educação se apresente enquanto relação
humana dialógica, que garanta a condição de sujeito tanto do
educador quanto do educando.
Não obstante
a importância da educação para a constituição do indivíduo
histórico, mormente na sociedade atual, a escola é uma das
únicas instituições para cujo produto não existem padrões
definidos de qualidade. Isso talvez se deva à extrema
complexidade que envolve a avaliação de sua qualidade.
Diferentemente de outros bens e serviços cujo consumo se dá de
forma mais ou menos definida no tempo e no espaço, podendo-se
aferir imediatamente sua qualidade, os efeitos da educação sobre
o indivíduo se estendem, às vezes, por toda sua vida,
acarretando a extensão de sua avaliação por todo esse período. É
por isso que, na escola, a garantia de um bom produto só se pode
dar garantindo-se o bom processo. Isto relativiza enormemente as
aferições de produtividade da escola baseadas apenas nos índices
de aprovação e reprovação ou nas tais avaliações externas que se
apoiam exclusivamente no desempenho dos alunos em testes e
provas realizados pontualmente.
Mas, o que é
o produto da escola? A resposta a esta pergunta pode contribuir
para uma crítica ao costume de se culpar o aluno pelo fracasso
escolar. Enquanto “atividade adequada a um fim” (Marx, s.d.) o
processo pedagógico constitui verdadeiro trabalho humano, que
supõe a existência de um objeto de trabalho que, no caso, é o
próprio educando. É este que, de fato, constitui o objeto da
ação educativa e que, no processo, se transforma (em sua
personalidade viva) no novo produto que se visa realizar. O
produto do trabalho é, pois, o aluno educado, ou o aluno com a
“porção” de educação que se objetivou alcançar no processo. Não
tem sentido, portanto, identificar a aula ou o processo
pedagógico escolar como o produto da escola. A aula é uma
atividade — o processo de trabalho — não o seu produto. Não pode
haver “boa” aula se não houve aprendizado por parte do educando.
A produtividade da escola mede-se, portanto, pela realização de
seu produto, ou seja, pela proporção de seus alunos que ela
consegue levar a se apropriar do saber produzido historicamente.
Isto supõe dizer que a boa escola envolve ensino e aprendizagem
ou, melhor ainda, supõe considerar que só há ensino quando há
aprendizagem.
Além disso,
há que se atentar para a peculiaridade do processo pedagógico:
diferentemente do que ocorre em outros processos de trabalho (na
produção material, por exemplo), o objeto de trabalho é também
sujeito, posto tratar-se do ser humano que, como tal, é preciso
querer aprender para que o processo se realize com êxito. Não
tem sentido, pois, pôr a culpa no educando pelo fracasso da
aprendizagem, com o argumento de que esta não se deu porque o
aluno não quis aprender. Ser detentor de vontade (enquanto
sujeito humano que é) faz parte das especificações do próprio
objeto de trabalho, que devem ser levadas em conta na
“confecção” do produto. Levar o aluno a querer aprender é a
tarefa primeira da escola da qual dependem todas as demais.
Gestão Democrática da Escola
Assumida uma
concepção peculiar de qualidade e de produtividade da escola, é
importante considerar as implicações de ordem administrativa daí
decorrentes. Em nosso dia-a-dia, administração (ou gestão, que
será aqui tomada como sinônimo) costuma ser associada com chefia
ou controle das ações de outros. Isso decorre do fato de que,
diuturnamente, convivemos com o arbítrio e a dominação e quase
não nos damos conta disso. É compreensível, portanto, que gerir,
administrar, seja confundido com mandar, chefiar.
Todavia, se
sairmos das concepções cotidianas e nos aprofundarmos na análise
do real, perceberemos que o que a administração tem de
“essencial” é o fato de ser mediação na busca de objetivos.
Administração será, assim, como já defini anteriormente (PARO,
1986), a “utilização racional de recursos para a realização de
determinados fins.”
Esta
concepção da administração enquanto mediação traz, inicialmente,
duas conseqüências importantes. Em primeiro lugar, ela nos
possibilita identificar como não-administrativas todas aquelas
medidas ou atividades que, perdendo de vista o fim a que
deveriam servir, erigem-se em fins em si mesmas, degradando-se
naquilo que Sánchez Vázquez (1977) chamaria de práticas
burocratizadas. De passagem, pode-se ressaltar que o que há de
odioso, comumente, nas atividades assim chamadas de burocráticas
não é a papelada que costuma acompanhá-las, mas sim o fato de
que são práticas inúteis aos fins, pois que se tornam fins em
si. Em política educacional, essa burocratização dos meios tem
prestado, muitas vezes intencionalmente, para se evitar que se
alcancem os fins declarados.
Uma segunda
decorrência do caráter de mediação da gestão ou administração é
que, não sendo fim em si, ela pode articular-se com uma
variedade infinita de objetivos, não precisando estar
necessariamente articulada com a dominação que vige em nossa
sociedade. Mas isto não deve servir a qualquer pretexto de
imputar-lhe uma neutralidade que não existe. Embora toda
administração tenha a característica básica de mediação, não
significa que toda administração seja idêntica. Precisamente por
ser mediação a determinado fim, a administração tem que
adequar-se (nos métodos e nos conteúdos de seus meios) ao
objetivo que pretende alcançar, diferenciando-se, portanto, à
medida que se diferenciam os objetivos.
Se está
envolvida a educação, é importante, antes de mais nada, levar em
conta os objetivos que se pretende com ela. Então, na escola
básica, esse caráter mediador da administração deve dar-se de
forma a que tanto as atividades-meio (direção, serviços de
secretaria, assistência ao escolar e atividades complementares,
como zeladoria, vigilância, atendimento de alunos e pais),
quanto a própria atividade-fim, representada pela relação
ensino-aprendizagem que se dá predominantemente (mas não só) em
sala de aula, estejam permanentemente impregnadas dos fins da
educação. Se isto não se dá, burocratiza-se por inteiro a
atividade escolar, fenômeno que consiste na elevação dos meios à
categoria de fins e na completa perda dos objetivos visados com
a educação escolar.
Como
participante da divisão social do trabalho, a escola é
responsável pela produção de um bem ou serviço que se supõe
necessário, desejável e útil à sociedade. Seu produto, como
qualquer outro (ou mais do que qualquer outro), precisa ter
especificações bastante rigorosas quanto à qualidade que dele se
deve exigir. Todavia, é muito escasso o conhecimento a esse
respeito, quer entre os que lidam com a educação em nossas
escolas (que pouca reflexão têm desenvolvido a respeito da
verdadeira utilidade do serviço que têm prestado às famílias e à
sociedade), quer entre os próprios usuários e contribuintes (que
têm demonstrado pouca ou nenhuma consciência a respeito daquilo
que devem exigir da escola).
Como
permanência dos ideais da escola tradicional de décadas atrás,
quando a população usuária da escola pública se restringia aos
filhos das camadas mais ricas da sociedade, a escola de hoje
continua a ter como propósito apenas preparar o aluno para o
mercado de trabalho ou para o ingresso na universidade. Além
disso, na falta de objetivos socialmente relevantes e
humanamente defensáveis a dirigir a ação escolar, a competência
desta continua a ser pautada pela capacidade de aprovar os
alunos em exames, como se as crianças e os jovens devessem
freqüentar a instituição e
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ducativa não para apreenderem a
cultura acumulada historicamente, de modo a formarem suas
personalidades enquanto cidadãos conscientes e autônomos e
enquanto pessoas aptas a aproveitarem a rica herança cultural da
história, mas apenas para “tirarem nota“ e se treinarem para
responder aos testes que compõem os estúpidos vestibulares,
“provões” e assemelhados.
Se se
pretende, com a educação escolar, concorrer para a emancipação
do indivíduo enquanto cidadão partícipe de uma sociedade
democrática e, ao mesmo tempo, dar-lhe meios, não apenas para
sobreviver, mas para viver bem e melhor no usufruto de bens
culturais que hoje são privilégio de poucos, então a gestão
escolar deve fazer-se de modo a estar em plena coerência com
esses objetivos.
Por isso, é
preciso refutar, de modo veemente, a tendência atualmente
presente no âmbito do estado e de setores do ensino que consiste
em reduzir a gestão escolar a soluções estritamente tecnicistas
importadas da administração empresarial capitalista. Segundo
essa concepção, basta a introdução de técnicas sofisticadas de
gerência próprias da empresa comercial, aliada a treinamentos
intensivos dos diretores e demais servidores das escolas para se
resolverem todos os problemas da educação escolar.
Por um lado,
é preciso considerar que os problemas que afligem a educação
nacional têm sua origem, fundamentalmente, não na falta de
esforços ou na incompetência administrativa de nossos
trabalhadores da educação de todos os níveis, mas no descaso do
Estado no provimento de recursos de toda ordem que possam
viabilizar um ensino escolar com um mínimo de qualidade. Não é
possível administração competente de recursos se faltam recursos
para serem administrados.
Por outro
lado, é necessário desmistificar o enorme equívoco que consiste
em pretender aplicar, na escola, métodos e técnicas da empresa
capitalista como se eles fossem neutros em si. O princípio
básico da administração é a coerência entre meios e fins. Como
os fins da empresa capitalista, por seu caráter de dominação,
são, não apenas diversos, mas antagônicos aos fins de uma
educação emancipadora, não é possível que os meios utilizados no
primeiro caso possam ser transpostos acriticamente para a
escola, sem comprometer irremediavelmente os fins humanos que aí
se buscam.
Se os fins
humanos (sociais) da educação se relacionam com a liberdade,
então é necessário que se providenciem as condições para que
aqueles cujos interesses a escola deve atender participem
democraticamente da tomada de decisões que dizem respeito aos
destinos da escola e a sua administração. Entendida a democracia
como mediação para a realização da liberdade em sociedade, a
participação dos usuários na gestão da escola inscreve-se,
inicialmente, como um instrumento a que a população deve ter
acesso para exercer seu direito de cidadania. Isto porque, à
medida que a sociedade se democratiza, e como condição dessa
democratização, é preciso que se democratizem as instituições
que compõem a própria sociedade, ultrapassando os limites da
chamada democracia política e construindo aquilo que Norberto
Bobbio chama de democracia social.
A fragilidade
da democracia fundamentada na participação política da população
apenas no momento de eleger seus governantes e representantes
legislativos em âmbito municipal, estadual e federal está em
que, assim, a população fica privada de processos que, durante
os períodos de mandatos parlamentares ou governamentais,
permitiriam controlar as ações dos eleitos para tais mandatos no
sentido de atender aos interesses das camadas populares. Por
isso, o caminho para a real "democratização da sociedade", de
que fala Norberto Bobbio, precisa passar pela ocupação "de novos
espaços, isto é, de espaços até agora dominados por organização
de tipo hierárquico ou burocrático." (BOBBIO, 1989, p. 55)
Dessa forma,
a democratização da gestão da escola básica não pode
restringir-se ao limites do próprio estado, — promovendo a
participação coletiva apenas dos que atuam em seu interior — mas
envolver principalmente os usuários e a comunidade em geral, de
modo que se possa produzir, por parte da população, uma real
possibilidade de controle democrático do Estado no provimento de
educação escolar em quantidade e qualidade compatíveis com as
obrigações do poder público e de acordo com os interesses da
sociedade.
Paralelamente
à participação dos usuários enquanto direito, sobressai cada vez
mais a importância de seu envolvimento com os assuntos da escola
enquanto necessidade desta para o desempenho de suas funções.
Enquanto relação dialógica, a educação escolar pressupõe a
condição de sujeito do educando, o que já envolve sua
participação ativa no processo. Ao mesmo tempo, enquanto
fenômeno social mais abrangente, o processo educativo não pode
estar desvinculado de tudo o que ocorre fora da escola, em
especial no ambiente familiar. Até para que a escola possa bem
desempenhar sua função de levar o aluno a aprender, ela precisa
ter presente a continuidade entre a educação familiar e a
escolar, buscando formas de conseguir a adesão da família para
sua tarefa de levar os educandos a desenvolverem atitudes
positivas e duradouras com relação ao aprender e ao estudar.
Grande parte do trabalho do professor é facilitado quando o
estudante já vem para a escola predisposto para o estudo e
quando, em casa, ele dispõe da companhia de quem, convencido da
importância da escolaridade, o estimule a esforçar-se ao máximo
para aprender. A participação da população na escola ganha
sentido, assim, na forma de uma postura positiva da instituição
com relação aos usuários, em especial aos pais e responsáveis
pelos estudantes, oferecendo ocasiões de diálogo, de convivência
verdadeiramente humana, em suma, de participação na vida da
escola. Levar o aluno a querer aprender implica um acordo tanto
com educandos, fazendo-os sujeitos, quando com seus pais,
trazendo-os para o convívio da escola, mostrando-lhes quão
importante é sua participação e fazendo uma escola pública de
acordo com seus interesses de cidadãos. (PARO, 1997a)
Conclusão
De tudo o que
foi visto pode-se concluir que há sim necessidade de melhor
qualidade do ensino básico, mas não porque se tenha conseguido a
quantidade e se precise alcançar com maior eficiência os ideais
de preparar pessoas para o mercado (agora, tendo em mira o
emprego imediato; ou no futuro, tendo em mira o vestibular). A
má qualidade do ensino público atual expressa, por um lado, a
falta de escolas de verdade, com condições adequadas de
funcionamento; por outro, a ausência, em nosso sistema de
ensino, de uma filosofia de educação comprometida explicitamente
com uma formação do homem histórico que, ultrapassando os
propósitos da mera sobrevivência, se articule com o objetivo de
viver bem, realizando um ensino que capacite o educando tanto a
usufruir da herança cultural acumulada quanto a contribuir na
construção da realidade social.
Com relação à
baixa produtividade do ensino, o que se constata é certa
renúncia da escola pública a responsabilizar-se por um produto
pelo qual ela deve prestar conta ao estado e à sociedade. Mas,
pela dificuldade de medida de sua qualidade apenas por meio de
exames ou testes pontuais, faz-se mister um acompanhamento
constante do trabalho escolar, garantindo um bom produto pela
garantia de um bom processo.
Para
responder às exigências de qualidade e produtividade da escola
pública, a gestão da educação deverá realizar-se plenamente em
seu caráter mediador. Ao mesmo tempo, consentânea com as
características dialógicas da relação pedagógica, deverá assumir
a forma democrática para atender tanto ao direito da população
ao controle democrático do estado quanto à necessidade que a
própria escola tem da participação dos usuários para bem
desempenhar suas funções.
Referências Bibliográficas
BOBBIO,
Norberto. O futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo.
4.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1989.
MARX, Karl. O
Capital. Rio de Janeiro, Civil. Brasileira, s.d., v. 1.
ORTEGA Y GASSET,
José.
Meditação da técnica. Rio de Janeiro, Livro Ibero-Americano,
1963.
PARO, Vitor
Henrique. Administração escolar e qualidade do ensino: o que os
pais ou responsáveis têm a ver com isso? In: SIMPÓSIO BRASILEIRO
DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, 18, 1997, Porto Alegre.
Anais: Sistemas e instituições: repensando a teoria na prática.
Porto Alegre, ANPAE, 1997a, p. 303-314
PARO, Vitor
Henrique. Administração escolar: introdução crítica. São Paulo,
Cortez : Autores Associados, 1986.
PARO, Vitor
Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo,
Ática, 1997b.
SÁNCHEZ
VÁZQUEZ, Adolfo. Filosofia da práxis. 2. ed. Rio de Janeiro, Paz
e Terra, 1977.
São Paulo,
abril de 1998.
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