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A Infância e a Paz
Adelaide Consoni
Não se faz necessário dizer
que as crianças em todo o mundo não podem ter nenhuma
perspectiva de PAZ.
Aliás, existem hoje mais de 300.000 crianças envolvidas nas
guerras pelo mundo. Elas são seqüestradas de suas casas, escolas
e o primeiro exercício que são obrigadas a fazer é matar o seu
melhor amigo. Estes sinais são a ponta de um imenso iceberg que
nos desvela um mundo onde o respeito pela vida e pela dignidade
humana é algo que temos em condição de muito baixa visibilidade.
Penso ser inconcebível a barbárie a que são submetidas as
crianças e adolescentes em todo o mundo.
A IPA - Associação Internacional pelo Direito da Criança Brincar
é considerada mensageira da PAZ pela ONU, por suas ações
educativas desenvolvidas em 55 países do mundo. Todas as ações
por nós desenvolvidas são centradas no lúdico, pois entendemos
que é a melhor forma de educar as crianças para a convivência
familiar e comunitária. Para nós o brincar é uma coisa muito
séria, não é um mero passatempo, é uma forma de vida.
Diante de tantas lesões aos direitos mais elementares da pessoa
humana, sobretudo as crianças e os adolescentes deste país, o
que vemos nesta década e fim de século é uma absurda crise de
uma sociedade sem valores. É fundamental refletirmos a qualidade
de vida a que estamos submetidos.
Temos consciência de que, em uma sociedade com tantas
dificuldades, em garantir a própria sobrevivência de suas
crianças e adolescentes, garantir o direito de brincar pode
parecer supérfluo e dispensável.
É preciso porém que reflitamos sobre que espécie de vida
queremos para as gerações futuras: uma vida solidária e
compartilhada, plena de sentimentos harmônicos, apesar das
dificuldades, ou uma vida marcada pelo individualismo, ódios e
violência. A resposta está em nossas atitudes hoje, e lutar pelo
direito de brincar, é lutar pelo direito à alegria, ao afeto e
ao companheirismo.
Assim penso ser fundamental a educação para a PAZ . Sem isto me
parece que a palavra PAZ não passará de mais um lenitivo para
nossos ouvidos.
Uma educação para a PAZ, sob a minha ótica implica
necessariamente que temos que evidenciar uma educação dos
valores humanos e não dos "haveres humanos".
Esta educação para a PAZ deve outorgar uma importância clara e a
criação de "climas de PAZ". Estes climas devem ser permeados de
valores de liberdade, de criatividade, de sinceridade, de
amizade, beleza, justiça, diversidade, união, solidariedade e a
bondade.
Porque uma educação para a PAZ? Tenho três razões para apontar
isso:
1 - A necessidade de tecer e fazer coesão aos valores humanos
como um eixo para a PAZ, que representa uma das mais nobres
aspirações humanas; um horizonte utópico cujo trajeto têm na PAZ
o único caminho possível para o progresso das pessoas, e todos
os valores humanos são causas de PAZ.
2 - A necessidade de interrelacionar e amplificar a dimensão
individual (PAZ interior) e a dimensão social (PAZ no entorno
social). A PAZ não é uma política externa a pessoa, sim um
compromisso pessoal e coletivo em todas as esferas da vida e tem
uma dimensão política e estrutural que vai mais além das pessoas
e de suas relações.
3 - A necessidade imperiosa de colocar na agenda do terceiro
milênio otimismo e esperança, mas também idéias e convicções
claras. PAZ não é neutralismo, PAZ não é ausência de conflitos,
PAZ não é passividade nem falsa tolerância. PAZ é plenitude, é
um processo de construção positiva. PAZ é cultura de
reconciliação. PAZ não é resignar-se a um futuro violento para a
humanidade. PAZ É TRANSFORMAR A HISTÓRIA.
Este é o desafio que me coloco, pois sei que temos condições
técnicas e humanas para transformar o estabelecido.
As crianças de todo o mundo merecem e esperam a PAZ. É na
intenção de ser digna delas que construo este texto, pois para
mim a palavra PAZ nunca foi lenitivo para meus ouvidos. Tenho
buscado transformar a história e criar espaços de PAZ.
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