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"Estudo mas não lembro" Como Estudar com Eficácia - A Diferença
Entre Estudar e Aprender
Nilda Perez Taboada de Tappatá
Que é aprender? Quando e como
aprendemos?
Aprender é conseguir uma modificação relativamente estável da
conduta. Quando aprendemos alguma coisa nova, agimos,
conduzimo-nos de uma maneira também nova, em função daquilo que
aprendemos.
Toda aprendizagem tem que servir, ao menos, para facilitar novas
aprendizagens... percorrer, com a aprendizagem realizada, o
máximo de distância baseando-se no aprendido.
Por exemplo: se em Matemática aprende-se no início a somar,
fazendo uma aprendizagem genérica, isto facilitará a
aprendizagem da multiplicação, que é uma "repetição de somas"
.... trata-se de "somas abreviadas" ... não sendo algo
genericamente diferente.
Bem pelo contrário, o aprendizado "bruto" não pode ser
transferido para situações diferentes daquelas nas quais foi
realizado. Então, para evitar isto, é preciso organizar o
aprendido, captar o que é o substancial; qual é o princípio
fundamental para que se possa aplicá-lo a tantos outros casos
particulares... Quer dizer, organizar a informação para poder
manipulá-la.
Quando aprendemos?
Aprendemos em todo momento, em toda circunstância, em toda
idade.
Desde que nascemos, observamos, exploramos, organizamos o
aprendido e o manipulamos para que nos sirva para novas
aprendizagens.
Neste processo de crescimento é muito importante ter o estímulo
daqueles que estão à nossa volta, que valorizam nossos
progressos e reforcem nossa auto-estima, elemento muito
importante para a formação do ego.
Existem idades especialmente férteis para aprender: por exemplo,
dos seis aos treze anos. Na adolescência este fertilidade
diminui devido à turbulências, procura da própria identidade,
influência do grupo. Quando este período termina, quando o jovem
passa ao nível superior, inicia-se novamente um período fecundo,
rico, favorável para a aprendizagem e especialmente para o
estudo.
Como se aprende?
Há muito tempo procura-se a maneira de explicar como se aprende
para poder dessa maneira, adequar o modo de ensinar.
Porém, a aprendizagem é um processo íntimo, encoberto, pessoal:
ninguém pode aprender pelo outro já que cada pessoa regula seu
próprio processo. É por isso que não é possível explicar como se
aprende ... ninguém sabe ... nem sequer o próprio aprendiz tem
consciência do que acontece na sua mente quando está aprendendo.
Aparecem então teorias, conjecturas, produto de observações
feitas, experiências de laboratório, entrevistas,
questionários... Os elementos recolhidos são reunidos e adquirem
forma através de raciocínios lógicos.
Estas teorias vem se sucedendo umas às outras através do tempo.
Na atualidade as "teorias cognitivas" tem maior aceitação.
Segundo estas, o indivíduo é um organismo em constante interação
com o meio. O aspecto intelectual é enfatizado e é conferida
grande importância ao que o aprendiz já sabe: a sua bagagem de
conhecimentos, experiências, vivências anteriores... bagagem que
permitirá atribuir sentido ao novo.
"Estudo, mas não lembro"
Uma queixa freqüente dos estudantes é; "dedico tempo, tenho boa
vontade, mas não só não posso explicar aos outros o que leio
como também não posso lembrá-lo" ... Este estudante está se
referindo a dois processos que estão muito relacionados entre
si: compreensão e memorização.
No estudo, ambos devem estar presentes. Não é suficiente
compreender o que se lê (ou o que se escuta). Também é mister
retê-lo, lembrá-lo, incorporá-lo à estrutura mental já
existente.
Não é o mesmo ler um romance ou um conto, cujo conteúdo pode se
relacionar facilmente com situações conhecidas e de cuja
mensagem não temos que dar conta, que ler um texto informativo,
(expositivo) do qual devemos falar na próxima aula ou num exame
e que além disso, não escolhemos ler , senão que, em geral, foi
nos designado.
Onde estão as diferenças? Principalmente, na motivação que nos
impele para essa mensagem, depois, no fato de que nem sempre se
dispõe na estrutura mental, das idéias prévias correspondentes.
E a memória? Embora às vezes se fale pejorativamente dela, a
memória é uma faculdade de grande ajuda no estudo. Vamos
entender-nos: não estamos falando de propiciar a aprendizagem
mecânica, sem sentido, que, além disso, persiste muito pouco
tempo e não enriquece aquele que a faz. Falamos da lembrança que
o estudante tem da "sua" interpretação daquilo que leu ou
escutou. Para conseguir esta interpretação, que não
necessariamente coincide exatamente com o que diz o autor do
texto ou o professor (porque há influências pessoais e de
contexto que fazem com que a interpretação tenha um toque
pessoal) inicialmente foi preciso que localizasse a informação
nova nos seus esquemas mentais e que a organizasse de alguma
maneira apropriada.
Entramos assim no campo específico das "habilidades para
estudar". Cada estudante, provido de uma bagagem de estratégias,
privilegia o uso de umas sobre as outras, de acordo com seu
estilo pessoal de estudo (ressaltar, selecionar, resumir, fazer
gráficos, etc.). Todas elas visam organizar (hierarquizar) a
informação e quanto maior a elaboração realizada, mais fácil
será a lembrança.
Quando se consegue organizar estes processos de: recepção,
compreensão, lembrança, encontra-se um prazer estético não
somente lendo uma obra literária senão também uma informação
científica e dessa maneira o estudo passa a ter sua recompensa
na mesma atividade , que é a situação ideal , vivida por aquele
estudante que atingiu a independência.
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