|
|
Da Estima à
Auto-Estima na Educação e Aprendizagem
Gladys Brites de Vila & Lígia Almoño de Jenichen
Ainda que a auto-estima comece
no âmbito familiar, produto da relação da criança com seus pais
ou responsáveis -e ainda antes do nascimento, na mente dos pais-
, essa continua no âmbito escolar, na relação com o docente e o
grupo de colegas.
Este processo não é linear, onde um dá e o outro recebe; surge
da interação entre ambos. Quando o aluno é aceito e
compreendido, devolve os mesmos sentimentos para o professor,
que também se sente reconhecido, valorizado. Assim se gera um
círculo de bem estar, onde a tarefa é gratificante para ambos e
o clima é propício para o desenvolvimento das potencialidades.
Quem se sente amado pode aceitar-se, adquirir o senso do seu
próprio valor, descobrir e realizar o potencial para o qual está
dotado. O amor no âmbito educativo, na classe, torna possível
captar de cada um o mais profundo, a sua verdadeira essência.
Através do amor é possível vislumbrar o potencial, o que ainda
não foi revelado e o que será exibido. Descobrir os talentos
possibilita a quem é amado a descoberta, o fazer-se conhecer.
Muito já foi dito a respeito da estima do aluno e isso sem
dúvida é importante. E quem cuida dos educadores? Eles também
precisam ser amados pelo aluno e reconhecidos socialmente pelo
prestígio do seu trabalho. Às vezes, quando o aluno não aprende,
o docente pode considerar-se incompetente, se atribui este
fracasso apenas ao seu próprio trabalho. Ao não sentir-se
reconhecido, pode retrair-se, desconectar-se afetivamente e
inibir sua criatividade para buscar novas alternativas, piorando
assim a relação. Ele não é o responsável absoluto, ambos são
protagonistas.
A confiança, a segurança, o senso do próprio valor, se aprende
mais pela presença do que pela docência. É importante que os
mesmos educadores tenham uma auto-confiança realista, pois acima
de tudo, se transmite mais pelo que se é, pelo que se vive do
que pelo que se diz. São símbolos da auto-estima: - Usar os
talentos e as aptidões para amar e estudar.
- Ter um grau mínimo de auto-aceitação e de orgulho próprio.
- Ter auto-confiança realista.
- Reconhecer as necessidades e valorizar as vitórias.
- Fazer valer os direitos e aceitar suas limitações.
- Ser autêntico. - Não esconder-se nem mostrar-se com exagero.
- Ter ideais de acordo com as possibilidades de sucesso.
- Ter desejos e projetos pessoais.
- Relacionar-se livremente com os outros, com autonomia e
independência.
Como se manifesta a baixa auto-estima:
Geralmente está associada a pessoas envergonhadas, inibidas,
temerosas, que não se animam a competir nem a destacar-se. Ainda
são símbolos de baixa auto-estima, certas atitudes que
aparentemente revelam o contrário: como querer chamar sempre a
atenção, tentado ser o centro, sentir a necessidade de ganhar
todo o tempo, ainda que valendo-se de trapaças, exibir um
perfeccionismo exagerado ou depender da aprovação externa. O que
uma criança precisa para desenvolver a auto-estima:
A criança precisa:
a) Educadores e companheiros que a aceitem como ela é, que a
aprovem e aceitem, para que ela possa descobrir-se e
desenvolver-se em sua plenitude. Estas atitudes nutritivas e
positivas, geradoras de experiências de satisfação precisam
também de limites, frustrações adequadas a cada momento do
desenvolvimento, que permitam à criançasinteriorizar as funções
que antes eram realizadas pelos educadores.
b) Docentes que ofereçam segurança, apoio, sustentação e que
sirvam de modelo, fonte de força, da qual possa participar. A
idealização dos professores é necessária em um determinado
momento; porém, logo é preciso romper com esta idealização, para
facilitar o acesso às crianças; ao serem humanizadas,
valorizadas de uma maneira mais realista, as crianças sabem que
não podem nem possuem tudo. Da auto-afirmação surgirão as
ambições de uma pessoa e da admiração, os ideais. A vivência dos
próprios talentos e habilidades é o que torna possível que as
ambições se unam a ideais realistas.
c) Sentir-se um entre seus pares, membro de um mesmo grupo. Do
que depende um maior ou menor grau de auto-estima O grau de
auto-estima depende da capacidade de sustentar a distância entre
o ideal de si mesmo e a realidade, do descobrimento dos dons e
da aceitação das limitações. Os sentimentos de auto-satisfação
surgem quando existe uma relação fluída entre o que se almeja
como ideal e o que se é na realidade.
Também depende do perfeito equilíbrio entre talentos, ambições e
ideais.
Auto-estima e ideais:
Se os ideais são razoáveis, uma pessoa é capaz de trabalhar
eficientemente para alcançá-los; disto surgem sentimentos de
satisfação para consigo mesmo pela tarefa realizada e pelo
objetivo alcançado. Se os ideais são por demais elevados, de tal
maneira que não existe a possibilidade de alcançá-los de forma
eficiente, surgem sentimentos de inferioridade e ineficácia.
Quanto menor for a brecha entre o ideal e a possibilidade de
alcançá-lo, menor será a ansiedade, maior será a auto-estima.
É humano experimentar sentimentos de insatisfação e de
inferioridade; ninguém tem a possibilidade de alcançar todos os
ideais. Sempre há um resquício de insatisfação que funciona como
força motriz, que gera uma tensão constante, dando lugar ao
progresso que abre espaço para cada qual buscar, por si mesmo, a
maneira de realizar-se, livre e criativamente, integrando a
força de seus desejos com as possibilidades que o mundo externo
oferece.
Algumas sugestões para enriquecer a auto-estima:
Ser bons modelos, com boa auto-estima, alegres e entusiastas.
Valorizar os aspectos positivos, dizer o bom e óbvio, não
repreender sempre.
Lembrar que cada qual é único, e assim, descobrir e fazer saber
o que lhe agrada.
Estimular a auto-confiança, que faça o que é capaz de fazer, com
experiências de sucesso. Não fazer em seu lugar nem
superproteger: deixar espaço para escolhas.
Estabelecer metas de acordo com suas possibilidades, sem exigir
mais do que é possível. Escutar e aceitar os sentimentos, mesmo
que negativos, as limitações, bem como as ações derivadas destes
sentimentos. Para que alguma coisa mude, ame seu aspecto menos
amado por ela. É a própria planta que sabe como tem que crescer.
Ela atingirá sua melhor forma, se receber as condições para
isso. A quem deseje ampliar o tema do desenvolvimento da
auto-estima e da aprendizagem da comunicação consigo mesmo e com
os outros, pode consultar as propostas de atividades para educar
e prevenir do livro de Gladys Brites de Vila e Ligia Almoño de
Jenichen ComunicArte, Buenos Aires, Editora Bonum. Gladys Brites
de Vila, Bacharel em Psicologia e Psicopedagogia. Fonoaudióloga.
Psicóloga Social. Professora da rede pública. Dirigiu os Centros
da Linguagem do ex-Conselho Nacional de Educação, criou um
modelo grupal multidisciplinar de investigação, assistência e
prevenção das dificuldades da aprendizagem, que era integrado
por pais, docentes e crianças.
LIVROS PUBLICADOS
Manual de Juegos para los más pequeños. Co-autora Marina Müller.
Editora Bonum. Buenos Aires (1986)
101 Juegos para educadores: Padres y docentes. Co-autora Marina
Müller. Editora Bonum. Buenos Aires (1989). 5ª Edição
Un lugar para jugar: El espacio imaginario. Co-autora Marina
Müller. Editora Bonum. Buenos Aires (1990). 5ª Edição
Juegos para dar a luz y acunar. Co-autora Marina Müller. Editora
Bonum. Buenos Aires (l990). 5ª Edição
Manual de estimulación temprana. Co-autora Marina Müller.
Editora Bonum. Buenos Aires (l991). 5ª Edição
Brincadeiras e atividades recreativas. Tradução para o português
do Manual de Juegos para los más pequeños. Edições Paulinas. São
Paulo. Brasil (1992) 5ª Edição ComunicArte. Co-autora Ligia
Almoño de Jenichen. Editora Bonum. Buenos Aires (l998) Ángeles.
10 Caminos Editora Bonum. Buenos Aires (1998)
:::::VOLTAR:::::
 |