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Brincar e Ser Feliz
Rita de Cássia Rocha Chardelli
Pedagoga, Psicopedagoga,
bacharel em Educação em Artística - habilitação em
Música,bacharel em Comunicação Social e diretora da Escola João
e Maria.
“Para trabalhar
com crianças é preciso aprender a jogar com elas antes de
interpretar.”
E. Pavlov
Se observarmos crianças jogando...brincando...conversando,
teremos uma imagem nítida do pensar infantil.
A criança pensa alto e assim nos dá dicas sobre como lidar com
elas.
A troca infantil de conhecimentos é mais prazerosa e mais
sensata.
Fico muitas vezes impotente diante ao olhar de uma criança.
Quem já teve um amiguinho invisível ?
Quem já criou uma passagem secreta?
Será que você se lembra desse momento tão mágico de sua vida?
Me pego com todas essas indagações, porque nem sempre nos
colocamos diante desse fato para entender o mundo mágico de uma
criança, que a todo momento nos pede ajuda, nos sinaliza , e
quer que tenhamos instrumentos para conviver com ela e nós em
nome de uma pedagogia ou em nome da pressa pedagógica, não temos
tempo de parar e nos curvar a essa criança que tanto pede
colo....
A todo momento, a escola recebe crianças com auto estima baixa,
tristeza, dificuldades em aprender ou em se entrosar com os
coleguinhas e as rotulamos de complicadas, sem limites ou sem
educação e não nos colocamos diante delas a seu favor, não
compactuamos e nem nos aliamos a elas, não as tocamos e muito
menos conseguimos entender o verdadeiro motivo que as deixaram
assim.
A escola facilita o papel da educação nos tempos atuais, que
seria construir pessoas plenas, priorizando o ser e não o ter ,
levando o aluno a ser crítico e construir seu caminho.
Saltini em Afetividade e inteligência enfatiza que “ de acordo
com o pensamento de Piaget, o principal objetivo da educação
seria criar homens capazes de inventar coisas novas e não apenas
meros repetidores daquilo que outras gerações fizeram. A meta
seria formar homens criativos, inventivos e descobridores;
pessoas capazes de criticar, que vão em busca de verificação e
não aceitam tudo o que lhes é proposto...” pg59
Mas que aluno é esse?
Será que só nos interessa aquele que transforma positivamente o
nosso mundo ou será que aquele que nos desafia, também tem a
nossa atenção?
É preciso saber escutar e saber olhar, para podermos impregnar
de sentido as ações desse nosso aluno, descobrindo maneiras de
penetrar na intimidade dele , de fazê-lo feliz.
O importante nesta relação é construir um espaço de confiança,
para podermos penetrar e deixar fluir toda intimidade , e
através do jogo construir um saber de forma prazerosa.
Esse jogo de idéias nos leva a compreender alguns processos do
aprender. É cheio de significações e a criança se expressa
usando a linguagem corporal, gestual ...
Deixar o corpo falar é um caminho.
Alicia Fernandez complementa: “A aprendizagem é um processo cuja
matriz é vincular e lúdica e sua raiz corporal...”
Usar música, dança, teatro é afirmar que toda aprendizagem passa
pelo corpo .
O corpo é um instrumento musical.
Ele tem que se sentir afetivamente aprendendo, porque ele é um
instrumento de conquista e a sua valorização leva a um
aprendizado mais consistente.
Não há aprendizado sem movimento.
Por isso cito Jorge Visca “... justamente, eu acho que
aprendizagem, para uma pessoa, abre o caminho da vida, do mundo,
das possibilidades de ser feliz.”
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