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A Ecopedagogia e a busca da construção
de uma sociedade planetária com qualidade de vida para todos
Flávio Boleiz Júnior
GRUTEUSP - Grupo de Trabalho de Ecopedagogia
Faculdade de Educação - USP
Vemos nos meios de comunicação social, nas seções de livros dos
grandes supermercados, nas prateleiras das livrarias; uma enorme
quantidade livros “de auto-ajuda”. São obras literárias escritas
por psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, cientistas políticos,
astrólogos, empresários bem sucedidos, curiosos; enfim, por um
sem número de pessoas interessadas em ajudar aos outros com suas
dicas e conselhos. Esses livros têm encontrado um público bem
grande, carente de auxílio para uma reflexão que lhes ajude a
reencontrar a auto-estima e os incentivos para o crescimento
pessoal.
O que se busca ao se comprar um livro desses? Que transformação pessoal se deseja na leitura desse tipo de literatura?
Parece que as pessoas têm encontrado cada dia maiores dificuldades de se sintonizarem com um tipo de cotidiano que lhes garanta qualidade de vida, sonhos, felicidade.
O que esses livros preconizam, geralmente, é uma mudança de postura pessoal diante dos acontecimentos individuais com vistas a um bem-estar particular que garanta harmonia interna e paz.
Mas na interação que realizamos a cada dia com as personagens de nossa teia social de relacionamentos, caracteriza-se não somente por nossas ações pessoais – que sem dúvida são muito importantes -, mas também pelas ações dessa teia como um todo. Uma teia formada pelas pessoas mais próximas de nosso convívio que se encadeia com outras mais e mais distantes, compondo toda a comunidade planetária que habita a Terra.
A mudança mental necessária diante da visão de mundo que orienta cada membro da sociedade é que pode de fato auxiliar numa transformação mais profunda e perene, que seja capaz de radicalmente reformar mentalidade da sociedade como um todo.
Todas as nossas atitudes pessoais e coletivas acontecem sempre dentro de um espaço – público ou privado – que se caracteriza enquanto meio onde vivemos; ambiente onde interagimos com os outros, com o mundo, com nós mesmos. Nosso meio ambiente.
Como seres naturais que somos, pois fazemos parte dos componentes que caracterizam a natureza, só poderemos encontrar qualidade de vida e caminhos de felicidade, se conseguirmos transformar nossa mentalidade de modo a passarmos a agir de maneira mais consciente e comprometida com o equilíbrio entre nossas ações cotidianas e as pessoas que nos cercam; tudo isso em consoante harmonia com o nosso meio e a natureza que nos oferece as condições de sobrevivência.
A Carta da Terra na Perspectiva da Educação, em seu item cinco, afirma:
5. A partir da problemática ambiental vivida cotidianamente pelas pessoas nos grupos e espaços de convivência e na busca humana da felicidade, processa-se a consciência ecológica e opera-se a mudança de mentalidade. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A ecopedagogia implica numa mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente, que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.
Em entrevista concedida à Revista Ecologia e Desenvolvimento - Edição 96 – 2001, o Teólogo Leonardo Boff, representante brasileiro na Comissão da Carta da Terra – Valores e Princípios para um Futuro Sustentável; nos fala de uma característica do processo de globalização que vivemos atualmente e de um ideal de transformação social que deveria acompanhar esse processo como meio de se atingir essa tão sonhada qualidade de vida:
"Nós vivemos na Idade de Ferro da globalização, aquela hegemonicamente econômico-financeira. Sua característica principal é de ser competitiva e nada cooperativa. Em razão desta lógica, surgem as exclusões sociais, a destruição de postos de trabalho, de certos tipos de trabalho e desemprego estrutural. Em seu lugar entra a máquina, o robô, enfim, a automação. Se houvesse junto com a globalização econômica também a globalização social, dos direitos e da solidariedade, haveria, seguramente, menos desemprego, mais trabalho emancipado e mais ócio criativo. Do trabalho assalariado, as pessoas passariam a ocupações alternativas e sociais e delas poderiam viver. Isso representaria um avanço fantástico em termos de melhora da qualidade de vida e alargamento da liberdade e criatividade humanas."
Na condições de sujeitos sociais preocupados com a educação e formação das novas gerações, cumpre procurarmos nos pautar em nosso dia-a-dia, em nossa vida pessoal e profissional; por ideais desse tipo!
Não percamos o interesse por nossos educandos e nem nossos sonhos de lhes garantir meios de construírem uma sociedade mais justa.
Sejamos conscientes e perseverantes!
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