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É Preciso Conhecer a
Educação Ambiental
Marco Antonio Bertini
Universidade de São Paulo
Pesquisador em Educação Ambiental
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental
A Educação Ambiental é uma nova concepção de
educação dedicada às questões ambientais e, por isso, vem
provocando um certo desconforto em algumas pessoas. Esta
inquietude muitas vezes emerge do despreparo voluntário daqueles
que não querem aceitar novas propostas de mudança de
comportamento ou que simplesmente ignoram a desastrosa
conseqüência sócio-ambiental produzida pela falta desta
percepção, e acaba comprometendo o futuro de nossa geração e do
nosso planeta.
São
muitos os caminhos para se trilhar e disseminar a Educação
Ambiental. Esses caminhos são conhecidos como vertentes formal,
não formal e informal, porém a educação em si não pode ser
apenas conhecida numa mera classificação acadêmica. As
informações são acessíveis através de livros, revistas
especializadas ou não, mídia, vídeos, internet, ONG’s,
associações, grupos de estudo, órgãos públicos, escolas, enfim,
a Educação Ambiental é veiculada para informar e também para a
conscientização voltada ao desenvolvimento sustentável, justo e
equilibrado, e preconizando a cidadania para o meio ambiente.
A
relutância em aceitar este instrumento de transformação encontra
simpatizantes em quase todos os seguimentos da sociedade,
inclusive na própria academia. Pode-se observar uma visível
repugnância de alunos e pesquisadores diante deste tema,
recusando-se a aceitá-lo como ciência ou mesmo como um fenômeno
que nasceu da preocupação de algumas pessoas e que está se
fortalecendo a cada dia. A princípio esta afirmação poderá
causar perplexidade ao leitor, mas na realidade toda essa
discussão é salutar e sempre produz mudanças, principalmente nas
concepções contemporâneas.
Este
posicionamento contrário à ideologia e pragmatismo da EA não
busca fundamentação no raciocínio lógico, mas em bases pouco
convincentes e até mesmo insensatas. Chegam a atribuir à
educação ambiental rótulo pejorativo como “marketing
promocional”, de sujeitos que se utilizam deste recurso com
finalidades meramente comerciais, visando o lucro em proveito
próprio.
É
óbvia a existência de oportunistas em qualquer área do
conhecimento, da política, do meio acadêmico, das empresas,
enfim, em toda sociedade. Contudo, esta crítica não contribui em
nada à Problemática Ambiental, pelo contrário corrobora para
denegrir sua imagem da EA e desviar a atenção dos seus
verdadeiros propósitos.
A
origem da EA não é facilmente determinada, pois a preocupação do
homem em operar mudanças de mentalidades em prol de um meio
ambiente mais equilibrado tem indícios historicamente
registrados. Essa base histórica é importante, mas a eficácia da
força de ação necessária nos dias de hoje é muito mais
imprescindível. Portanto, a prática de EA dispensa os ‘links’
ideológicos como o marxismo, socialismo, comunismo, o que
realmente interessa são ações concretas.
A
visão estreita e fragmentada dos problemas é uma questão
cultural e que não podemos mudar de uma hora para outra, sendo
parte integrante de um processo de mudança comportamental que
demanda tempo para estabelecer novas práticas em nossa
sociedade.
O
que realmente é Educação Ambiental? Para que serve e como
efetivamente fazer EA? Esses e outros questionamentos eclodem a
todo instante, demonstrando a evolução e a dinâmica, partes
integradoras da transformação de paradigmas e da construção de
novos saberes.
É
notório a quantidade de projetos de EA que deram certo e
contribuíram efetivamente com o meio. Este sucesso se deve ao
acompanhamento direto das ações empreendidas, bem como da
formação de agentes multiplicadores para a continuidade desses
projetos. A regra é simples, seja na EA ou em qualquer
iniciativa, o monitoramento do projeto é indispensável, caso
contrário o fracasso é certo.
Este
texto não tem como objetivo apresentar respostas a tais
questões, pois já existe uma rica e vasta literatura a respeito,
acessível a todos interessados. A indicação ou sugestão que se
faz, é não se objetivar conceitos ou receitas de como fazer EA,
muito menos tecer críticas contraproducentes, mas sim provocar
reflexão e iniciativas que visem qualidade de vida dentro de um
contexto social e ecologicamente equilibrado.
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