A Carta da Terra na perspectiva da Educação: uma bússola para os educadores
Flávio Boleiz Júnior
GRUTEUSP - Grupo de Trabalho de Ecopedagogia
Faculdade de Educação - USP


A Carta da Terra na Perspectiva da Educação é uma bússola orientadora que pode e deve nortear nosso trabalho de educadores em direção da construção de uma Pedagogia que se paute na sustentabilidade da vida sobre nosso planeta, a partir de uma visão holística de mundo, de povo e de nação.
 Essa nova visão de mundo passa necessariamente pela conscientização da necessidade que vivemos hoje de escolhermos se desejamos continuar a existir num mundo finito, com recursos naturais e humanos que, em função da degradação por parte do próprio homem, está-se deteriorando, extinguindo, encaminhando-se para a destruição.
O processo de globalização econômica por quê estamos passando além da mundialização da informação e da massificação cultural; impele-nos a buscarmos respostas às necessidades de equilíbrio mundial também de forma universalista.
Nessa direção, a Carta da Terra na Perspectiva da Educação, nos auxilia:
1.    Nossa Mãe Terra é um organismo vivo e em evolução. O que for feito a ela repercutirá em todos os seus filhos. Ela requer de nós uma consciência e uma cidadania planetárias, isto é, o reconhecimento de que somos parte da Terra e de que podemos perecer com a sua destruição ou podemos viver com ela em harmonia, participando do seu devir.
A Terra é a mãe criadora e cuidadora de todos os seres vivos que nela habitam. Criadora no sentido mais popular da palavra, quer dizer, aquela que cria, que bem cria, que vela pela cria. E a Terra providencia por meio de suas capacidades naturais de organismo vivo e em evolução, o equilíbrio necessário para que a vida dos seus filhos – os seres vivos todos que a habitam – possa se realizar de maneira plena, em condições de harmonia.
Dentre os filhos da terra, os homens destacam-se como aqueles que, dotados de racionalidade e liberdade, possuem as condições de imputarem-lhe estímulos que decorrem da transformação que seu trabalho lhe impõe, como fruto de seu desejo, seu impulso racional, de viver melhor, com maior conforto, com maior comodidade.
Na busca da produção de sua própria existência por meio de seu trabalho, o homem transforma seu ambiente. Busca ao seu redor a forma de materializar seus desejos e sua comodidade a medida em que se produz enquanto ser histórico que transforma o mundo e se transforma socialmente no transcorrer de sua vida em comunidade. Essa transformação material do mundo por meio da influência racional do homem, vem sofrendo a influência do modo de produção e consumo por quê optamos, e que de maneira imprevidente e desequilibrada tem causado desgaste, deterioração,destruição .
Destruição!
E a sobrevivência da humanidade – das gerações presentes e futuras – depende da manutenção do equilíbrio que a própria natureza oferece aos filhos da Terra.
 Sem repensarmos os modos de produção e consumo de que a sociedade planetária se utiliza para satisfazer seus desejos e necessidades, não será possível garantir a continuidade da vida em nosso planeta. Não haverá possibilidade de assegurarmos a nossa própria espécie as condições de vida que emanam do Organismo Vivo que nos abriga.
É sob essa perspectiva que se apresenta como necessária uma visão de sustentabilidade para a vida. Para a vida da Terra e para nossa própria possibilidade de vida em seu devir.
 

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