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Educar para a Cultura da Justipaz
e da Sustentabilidade
Violência e Convivência Escolar
Moacir Gadotti
(*)
“Não creio em nenhum esforço chamado de Educação
para a Paz que, em vez de revelar o mundo das injustiças,
torne-o opaco e tenda a cegar suas vítimas”.
Paulo Freire
1. A violência nas escolas é
uma preocupação internacional. Não é apenas um fenômeno
brasileiro. A partir dos anos 90, em diferentes partes do mundo,
notícias de agressão nas escolas começam a fazer parte do
cotidiano: agressão e mortes praticadas por estudantes contra
colegas e professores, drogas, gangues... Começam também as
respostas a esse problema através de audiências públicas,
legislação específica, debates, pesquisas, programas de
prevenção e combate à violência com envolvimento de pais e
alunos, etc.
Existem basicamente dois
tipos de violência escolar:
1.1. A violência
direta que está aumentando de forma preocupante nas escolas
em quase todos os países do mundo e que se manifesta em
diferentes formas de agressão pessoal: entre alunos, entre
professores, entre alunos e professores, contra pessoas e
objetos ou em outros contextos do entorno escolar.
1.2. A violência cultural
ou indireta, gerada pelas estruturas da nossa sociedade.
Esse último tipo de violência, sutil, envolvente e
freqüentemente invisível, se manifesta em todo tipo de
injustiças: sociais, econômicas, de gênero, raciais,
jurídicas... responsáveis pela radical desigualdade de
oportunidades dos sers humanos. A violência indireta afeta
também o sistema escolar, causando graves danos às crianças e
adolescentes.
2. A literatura sobre o
assunto destaca que a violência escolar é fruto da violência
global, estrutural (cultural, social, econômica, política e
religiosa). O modelo econômico dominante está baseado no homo
economicus movido somente pelos seus próprios interesses,
buscando maximizar seus próprios benefícios pessoais
(privatização, competitividade), opondo-se a tudo e a todos. A
base da racionalidade desse modelo é a busca do interesse
pessoal. Por isso, a “solução” não está na visão simplista de
que podemos pedagogicamente superar a violência estrutural. Não
se trata de uma solução psicológica ou individual. É preciso ir
muito além. Mas, resta a pergunta: o que podemos e devemos fazer
na escola?
3. Quais são os princípios
básicos necessários para desenvolver uma cultura da
convivência democrática e prevenir a violência na escola? María
José Día-Aguado responde a essa pergunta
apresentando 11 condições ou necessidades educativas básicas:
1. Adaptar os procedimentos de
ensino-aprendizagem às mudanças sociais atuais.
2. Superar o currículo oculto,
explicitando as normas escolares a partir de papéis
democráticos.
3. Lutar contra a exclusão,
distribuindo o protagonismo e o empoderamento.
4. Prevenir a violência
reativa e a violência instrumental a partir de contextos
normalizados de resolução de conflitos.
5. Distribuir o poder também
no interior da sala de aula e da disciplina.
6. Ajudar a não reproduzir a
violência, desenvolvendo as condições que protegem contra ela.
7. Romper com a conspiração do
silêncio sobre a violência escolar.
8. Superar as representações
contrárias aos valores democráticos: o sexismo, o racismo, a
xenofobia, através do respeito aos direitos humanos.
9. Utilizar os meios de
comunicação na educação em valores.
10. Promover novos esquemas de
colaboração entre a escola, a família e o resto da sociedade.
11. Colocar a disposição do
professorado os meios que permitem alcanças as condições
anteriores para poder desenvolver uma convivência democrática.
Segundo a autora, a eficácia
desses princípios foi comprovada através de uma série de
pesquisas experimentais em várias escolas.
4. Essa experiência foi também
realizada por Xesús R. Jares
que vem trabalhando há muitos anos com a educação para a paz em
escolas da Galícia (Espanha). Para ele, a formação dos
professores para aprender a conviver deve contemplar
deste os princípios que inspiram o enfretamento não-violento dos
conflitos, até os métodos clássicos de resolução como a
negociação, a mediação e a arbitragem. Para ele, concretamente,
a formação dos profissionais da educação para lidar com a
violência na escola deveria contemplar e realizar os seguintes
postulados:
1. O conflito é natural e inevitável; devemos enfrentá-lo como
um valor na medida em que estimula o crescimento e o
desenvolvimento.
2. O conflito é processual,
segue um itinerário com intensidade alta e baixa.
3. A resolução de conflitos
não depende somente da aplicação de certas técnicas ou
processos, pois cada situação conflitiva é específica.
4. Devemos distinguir a
agressividade da violência para evitar a confusão entre
violência e conflito.
5. É fundamental a educação da
afetividade por suas estreitas relações com a construção
equilibrada da personalidade e por sua influência na
convivência.
6. É preciso planificar a
educação para a convivência a partir dos diferentes âmbitos do
currículo: dispor de tempo e de espaço para intervir em
conflitos e aprender alternativas de solução, criar experiências
lúdicas e de dinâmica de grupos, organizar a escola de forma
democrática, trabalhar de maneira cooperativa e questionar a
violência como forma de solução.
7. É fundamental aceitar a
diferença e enfrentar a diversidade de maneira democrática,
demandando apoio sem favorecer políticas de segregação de
escolas.
8. Devemos analisar o conflito
e enfrentá-lo no seu contexto sócio-cultural no qual é produzido
e não apenas a partir de uma perspectiva individual.
9. É preciso insistir no valor
da democracia e na necessidade da globalização dos direitos
humanos, pressupostos nos quais deve estar fundamentada a
educação para a convivência.
5. Se a sociedade é violenta
precisamos aprende a conviver com ela para superá-la e construir
uma cultura da paz (justipaz, justiça e paz, na visão de Paulo
Freire). Quais são os componentes de uma cultura da
justipaz e da sustentabilidade? Martin Rodriguez Rojo
elenca 9 princípios:
1. A pessoa não é violenta por
natureza.
2. Existe o conflito e é
necessário admiti-lo.
3. Todos os seres humanos
somos membros de uma mesma raça.
4. Somos cidadãos do mundo.
5. O interculturalismo gera um
intercâmbio enriquecedor.
6. O diálogo é imprescindível
na cultura da paz.
7. Todas as pessoas e povos
têm direito ao desenvolvimento.
8. Os direitos humanos devem
ser respeitados.
9. Devemos transformar a
globalização neoliberal numa mundialização que em vez de separar
lute pela solidariedade.
6. Segundo Xesús R.
Jares
existem três grandes modelos de Educação para a Paz:
a)
modelo
técnico-positivista:
1.
Centrado nos fenômenos
externos observáveis e mensuráveis. A Educação para a Paz (EP)
consiste precisamente na transmissão dos aspectos observáveis e
quantitativo da paz. Os próprios resultados educativos da EP
devem ser especificados e avaliados sob essas condições.
2.
Conceito de paz negativo, como
antítese da guerra. A paz seria a ausência da guerra entre
estados.
3.
Conceito da EP negativo,
orientando a sensibilizar as pessoas para evitar a guerra.
4.
Não questiona as atuais
estruturas nacionais e internacionais. Fazer isso não seria
invadir o campo da política.
5.
Em conseqüência, a educação
deve ser neutra.
6.
Concepção negativa do
conflito. A EP deve buscar a harmonia, a ausência de conflitos.
Uma “boa” educação para a paz seria aquela que consegue evitar
todo o conflito na sala de aula.
7.
Modelo de professor centrado
em desenvolver os objetivos cognoscitivos que os especialistas
proporcionam.
8.
Clima escolar centrado no
professor e na consecução dos objetivos. Relação vertical
professor-aluno e ausência de interação entre os alunos.
9.
A EP integra-se no currículo
escolar, s
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eja como matéria independente, seja como unidade ou
escolha das matérias tradicionais do campo das ciências sociais.
Para concluir, trata-se de um
modelo de EP negativo, cognoscitivo e dependente.
b)
Modelo
hermenêutico-interpretativo:
1.
Centrado na interdependência
dos fenômenos e das pessoas e na subjetividade.
2.
A paz é entendida não apenas
como a ausência de guerra, mas também de todo tipo de violência,
do mesmo modo que o conceito de paz positiva, mas centrada nas
relações interpessoais. Por isso, acredita-se que é “na mente
dos homens que se produzem as guerras”, e é na mente dos homens
que será preciso proporcionar os meios para evita-las. Forte
componente psicologista em suas análises.
3.
Portanto, embora propugne a
utilização mista dos enfoques cognoscitivos e afetivos, atribui
a importância especial a esses últimos, assim como ao cultivo
das subjetividades interpessoais e aos processos comunicativos
entre as pessoas.
4.
Essa colocação idealista
originará o utopismo pedagógico: a educação para a paz como
criadora de um mundo sem guerras e violências.
5.
Ênfase e priorização das
interações e relações interpessoais como objetivo e meio de
aprendizagem.
6.
Modelo de professor não apenas
como provedor de informação, mas também é fundamentalmente como
coordenador das interações e aprendizagens escolares. Sua
relação com especialistas da PP e pedagogos é a do trabalho
conjunto, ainda que a direção explícita ou conjunta daqueles.
7.
Participação dos alunos como
agentes da aprendizagem e da organização da turma. Propugnam-se
sistemas de autogoverno.
8.
Conseqüentemente, a obtenção
de um clima positivo na sala de aula é tarefa prioritária.
Coerência da forma de educar com os fins a perseguir.
9.
A integração da
EP tem duas posições: a) para que a consideram como educação
moral, faria parte basicamente das matérias de religião ou
ética; b) os que a concebem como educação integral, mostram-se
radicalmente contrários a converte-la em uma matéria do plano de
estudo tradicional.
c)
Modelo
sociocrítico:
1.
Baseado nos conceitos de paz
positiva e na perspectiva criativa do conflito.
2.
Concepção ampla e global da
paz, inter-relacionada com os obstáculos políticos, sociais
econômicos, etc. que dificultam.
3.
Simetria entre enfoques
cognoscitivos e afetivos, morais e políticos. Utilização dos
métodos socioafetivos e em transpor os limites da sala de aula.
4.
Orientada por valores
onicompreensivos; não-neutra; questiona as atuais estruturas
sociais, tanto as nacionais como as do próprio sistema
educativo.
5.
Fundada na conscientização e
orientada para a ação e transformação das estruturas violentas.
6.
Ênfase no conflito, o conflito
como centralidade da EP e em sua resolução de forma não
violenta. Podemos estabelecer duas tendências: a) a perspectiva
conflitual não violenta, que rechaça todo tipo de violência; b)
a conflitual violenta, que admite a violência como
consubstancial ao ser humano e/ ou justifica seu uso para
combater situações de injustiça.
7.
Importância de lutar contra a
violência estrutural e simbólica do sistema educativo, assim
como a necessidade de conseguir um currículo emancipador.
8.
O modelo de professores que se
propugna está em sintonia com o do enfoque hermenêutico, embora
existam duas claras diferenças: a) do ponto de vista didático
assume-se o conceito de professor-pesquisador; b) quanto à
interação escola (profissão)-sociedade, o professor
“sociocrítico” tem um compromisso sociopolítico com os valores
da paz, ao mesmo tempo que procura situar seu trabalho educativo
nesse contexto. Por outro lado, consciente de sua dimensão
exemplificadora, busca uma coerência entre sua vida e seu
trabalho educativo.
9.
No que diz respeito a
integração curricular, a posição majoritária dos que se situam
nesse modelo é a de ser abertamente contrários à sua conversação
em matéria nos níveis não-universitários do ensino. Insiste-se
em uma reformulação do currículo atual para superar suas
violências. Atribui-se grande importância aos projetos
extra-escolares.
7. Um Programa de
Educação para a Paz, segundo Xesús R. Jares,
deveria contemplar os seguintes objetivos:
a)
Objetivos Conceituais:
1. Relacionados com o
conceito de paz:
-
Descrever as diferentes conceituações da paz, tanto
longitudinalmente – ao longo da história -, como
transversalmente – diferentes culturas.
- Situar
no espaço e no tempo as principais lutas que ocorreram na
história em favor da paz.
-
Conhecer os diferentes movimentos sociais que atualmente lutam
pela paz .
-
Identificar a mudança social como possível e como resultado da
ação das pessoas.
-
Reconhecer as condições que encerra a idéia de paz positiva e
suas diferenças em
relação
ao conceito de paz negativa.
-
Reconhecer que as atitudes violentas são aprendidas.
-
Identificar as causa sociais que geram violência.
-
conhecer os fatores que contribuem para a paz , a cooperação e o
respeito aos direitos
-
Identificar os obstáculos que não a tornam possível , isto é, os
diferentes tipos de e suas repercussões, tanto no meio local
como no internacional.
2. Relacionados com o
Conflito:
- Reconhecer o conflito como
natural e inevitável na vida humana.
- Saber reconhecer a estrutura
do conflito.
- Discernir os motivos e as
variáveis que intervêm em um conflito.
- Reconhecer a estrutura do
conflito.
- Identificar os interesses
reais das ideologias que estão por trás de determinados
conflitos.
- Identificar os requisitos
para uma convivência pacífica.
- Diferenciar conflitos de
violência.
- Indagar sobre as causas,
cenários e tipos de violência.
- Identificar e analisar as
possíveis condutas de perseguição e intimidação que possam
produzir-se no meio escolar.
- Indagar sobre as práticas
sociais de desobediência diante de situações de injustiça.
3. Relacionados com os
direitos humanos:
-
Explicar o significado do conceito de direitos humanos como um
processo que se constrói historicamente.
- Conhecer os principais
antecedentes históricos dos direitos humanos.
- Saber relacionar o conceito
de direitos humanos com os de justiça, paz e democracia.
- Analisar os direitos humanos
e as necessidades humanas básicas.
- Entender os direitos humanos
de forma universal e indivisível.
- Reconhecer as diferentes
gerações de direitos humanos.
- Localizar historicamente
Declaração Universal dos Direitos Humanos, seu significado e os
direitos que a conformam.
- Identificar as possíveis
violações que no próprio país e no mundo possam-se produzir.
- Interpretar suas possíveis
causas.
- Identificar a discriminação
como a antítese dos direitos humanos.
- Conhecer os diferentes tipos
e formas de discriminação.
- Examinar a prática dos
direitos humanos na escola e na comunidade.
-
Conhecer as diferentes organizações que, localmente e
internacionalmente, trabalham em favor dos direitos humanos.
- Indagar sobre a relação
direitos humanos-ingerência. O direito internacional e o
Tribunal Penal Internacional. Problemática e perspectivas.
4. Relacionados com o
desenvolvimento:
- Conhecer o conceito de
desenvolvimento e analisar suas relações com o de paz e direitos
humanos.
- Explicar as causas
socioeconômicas e políticas do subdesenvolvimento.
- Descobrir seus antecedentes
históricos.
- Conhecer a situação
socioeconômica dos chamados países do Terceiro Mundo:
agricultura, alimentação e fome, comércio de armas e
militarismo, ensino e cultura, demografia e saúde, situação da
mulher e da infância, etc.
- Localizar geograficamente os
países do Terceiro Mundo e, sociologicamente, saber reconhecer o
chamado “terceiro mundo em casa” ou quarto mundo.
- Analisar o conceito de
intercâmbio desigual, com a conseqüente repartição desigual de
bens no mundo, e o problema da dívida externa.
- Assinalar possíveis soluções
alternativas.
- Distinguir as diferentes
organizações que, local, nacional e internacionalmente,
trabalham em favor da paz e do desenvolvimento .
-
Classificar as ações que podem ser levadas à prática de modo a
contribuir para a paz e a solidariedade.
-
Analisar o conceito de solidariedade e as suas diferentes
manifestações.
5. Relacionados com o
mundialismo, multiculturalismo e interculturalismo:
- Identificar a humanidade
como um todo global, formada por diferentes culturas e
raças.
- Distinguir entre diversidade
e desigualdade.
- Interpretar o conceito de
interdependências em seus diferentes níveis: interpessoal,
intergrupal, internacional.
- Analisar culturas
minoritárias e indagar sobre a noção de identidade. A concepção
hegemônica ocidental e o neocolonialismo. Transculturação e
desculturação.
- Interpretar as diversas
culturas mundiais dentro do respeito e do direito à diferença.
- Reconhecer e praticar as
habilidades para viver em uma sociedade multicultural.
- Conhecer diferentes
expressões da cultura cigana, sua história seus costumes.
- Conhecer a situação da
imigração na Espanha e seu controle legal. Idem na Europa.
- Estabelecer conexões entre
racismo, xenofobia e economia.
- Conhecer líderes, movimentos
e instituições anti-racistas.
6. Relacionados com o
desarmamento:
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- Conhecer as causas, a
natureza e as conseqüências do rearmamento.
-
Explicar a idéia do desarmamento e inferir suas conseqüências
positivas em torno da segurança, meio ambiente e melhoria das
necessidades sociais.
- Identificar as diferentes
alternativas de desarmamento.
- Explicar os conceitos de
Estado-nação e de segurança como históricos e modificáveis.
- Analisar as propostas de
defesa não violenta e a objeção de fiscal aos gastos militares.
- Reconhecer as causas das
guerras e seu papel na humanidade.
- Conhecer a situação do
comércio de armas e as campanhas contra ele.
- Indagar sobre a relação
entre militarismo, subdesenvolvimento e direitos humanos.
-
Identificar as diferentes conseqüências trágicas da guerra em
torno de suas vertentes: humana, social, econômica, ecológica...
7. Relacionados com a
compreensão internacional e as relações internacionais:
- Descrever e analisar as
diversas formas de cooperação internacional.
-
Deduzir as conclusões pertinentes em torno das diferentes
mudanças que teve para o mesmo país o conceito de inimigo e seu
uso pelos estados.
- Relacionar o sistema
internacional vigente como algo histórico.
- Conhecer o funcionamento e a
estrutura das Nações Unidas e de outros organismos
internacionais, assim como suas propostas de reforma.
- Conhecer os principais
problemas da humanidade.
b) Objetivos atitudinais:
1. Relacionados com o
conceito de paz:
- Apreciar os esforços que,
historicamente e na atualidade, produzem-se em favor da paz
- comportar-se de acordo com
os valores da paz.
-
Dar-se conta das possíveis violências de nosso entorno imediato
e do mundo e agir em face delas para provocar seu
desaparecimento.
-
Valorizar positivamente as mudanças sociais tendentes a libertar
a humanidade de todo tipo de violência.
2.
Relacionados com o conflito
- Apreciar as qualidades
positivas de cada um e as dos demais.
- Saber relativizar nossa
posição em um conflito.
- Ter consciência de possíveis
ideologias ou interesses por trás de determinados conflitos.
- Respeitar as opiniões dos
demais e ser capazes de nos colocar no lugar do outro.
- Aceitar as decisões tomadas
democraticamente.
- Perceber as vantagens da
resolução não violenta dos conflitos e agir em conseqüência.
-
Valorizar negativamente a obediência cega e, ao contrário,
sentir a necessidade da desobediência diante de situações ou
leis injustas.
- Apreciar a luta não violenta
diante das situações de injustiça nas quais não é possível a
resolução não violenta dos conflitos.
3. Relacionados com os
direitos humanos:
- Valorizar os direitos
humanos como uma das principais conquistas da humanidade.
- Ter consciência da
fragilidade dos direitos humanos e que , como conseqüência, é
necessário estar sempre vigilantes para seu cumprimento.
- Respeitar e praticar os
direitos humanos.
- Estar estabilizado às
violações dos direitos humanos e agir em conseqüência.
- Ter consciência da dupla
moral que existe em nossa sociedade sobre a aplicação dos
direitos humanos: o que se diz ou se legisla e o que se pratica.
- Ser sensível e apoiar as
campanhas de defesa dos direitos humanos.
- Ter consciência de que dois
terços da humanidade estão muito longe de poder desfrutar dos
direitos humanos.
4. Relacionados com o
desenvolvimento:
- Ter consciência dos
desequilíbrios que existem dentro e entre os estados e agir em
favor de seu desaparecimento.
-
Reagir diante do não-cumprimento das necessidades humanas
básicas, evitando a indiferença.
- Respeitar e apreciar as
peculiaridades culturais dos paises subdesenvolvidos.
- Interessar-se pelos grupos
carentes.
- Ser crítico diante dos
processos de marginalização e exclusão social e agir para seu
progressivo desaparecimento.
- Tomar consciência da
necessidade de um trabalho solidário e agir em processo de
cooperação em diferentes níveis.
5. Relacionados com o
mundialismo, o multiculturalismo e o interculturalismo :
-
Valorizar positivamente a diversidade cultural e étnica.
-
Apreciar a contribuição dos diferentes povos à humanidade.
- Dar-se conta dos pontos de
vista do outro e respeitar as diferenças de costumes, credo e
opinião que não sejam atentatórios aos direitos humanos.
- Praticar com os demais as
habilidades de “competência transcultural”.
- Ser
sensíveis aos problemas das minorias, dos imigrantes e dos
ciganos.
- Rechaçar todo tipo de
comportamentos e atitudes racistas e xenófobas.
6. Relacionados com o
desarmamento:
- Valorizar positivamente o
desarmamento.
- Ter consciência do papel da
pressão da opinião pública em favor do desarmamento e da paz em
geral.
- Preocupar-se com os paises
que sofrem conflitos bélicos.
- Dar-se conta da importância
das defesas alternativas não-agressivas.
- Estar sensibilizados a favor
da objeção de consciência ao serviço militar e aos gastos
militares ( objeção fiscal).
- Identificar guerra como
fracasso da humanidade.
7. Relacionados com a
compreensão internacional e as relações internacionais:
-Valorizar positivamente a
substituição paulatina da diplomacia dos estados pela diplomacia
dos povos.
- Valorizar positivamente a
crescente interdependência mundial, dentro da identidade de cada
povo.
- Praticar a comunicação e os
contatos internacionais.
-
Valorizar positivamente a existência de organismos
internacionais que regulem a convivência entre os países.
c. Objetivos
procedimentais:
-
Experimentar determinados comportamentos e as atitudes
tipificados como próprios da idéia de paz
-
Determinadas ações adaptadas ao nível evolutivo dos educandos.
-
Trabalhos e jogos de forma cooperativa.
- Os
diversos métodos de resolução não violenta de conflitos.
- Aplicar
as formas de luta não violenta.
-
Confeccionar diferentes trabalhos e com diferentes meios sobre
os diferentes objetivos expostos anteriormente.
-
Simular diversas situações em relação aos objetivos expostos.
- Desenvolver a capacidade de
coleta de informações, de análise e de síntese.
- Manejar diferentes
informações sobre um mesmo problema .
- Construir uma imagem
inter-relacionada dos problemas e de suas alternativas.
- Utilizar diferentes formas
de comunicação.
- Experimentar diversas
técnicas e procedimentos para analisar os valores próprios de
cada um e as implicações destes na vida.
- Observar os diferentes
processos de tomada de decisões : na sala de aula, na família,
em diversas instituições, etc.
- Representar mundos
alternativos aos que conhecemos hoje.
Conclusão:
A violência praticada contra as pessoas é aprendida também na
escola. Por isso a escola também pode ensinar a não-violência.
Não há um só antídoto para a violência na escola. Não há um só
programa de prevenção que possa ser aplicado em todas as
escolas. Mas alguma coisa podemos fazer. Nesse quefazer
educativo será preciso levar em conta o contexto local,
cultural, comunitário. O que não podemos é desistir. A única
alternativa à violência na escola é a educação para a
convivência e o diálogo. Para atingirmos esse objetivo devemos,
segundo a pedagogia freiriana, trabalhar de modo mais
cooperativo nas aulas (“Círculos de cultura”), gestionar de
forma mais democrática a convivência e educar emocionalmente
(Francisco Gutiérrez), construindo redes que desenvolvam a ética
democrática, a “ética do ser humano” (PF), dentro de uma visão
paradigmática nova. Para mudar a realidade precisamos enxergá-la
diferentemente. A seguir apresento alguns anexos para nos ajudar
a pensar num novo paradigma que nos ajude a ver o mundo de outra
forma.

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